Tuesday, March 02, 2021
EDITORIAL

«GRANDE MOLDURA HUMANA» ENGANOU MUITA GENTE

Março 14, 2019
  

Todos os Partidos ou, melhor, os dirigentes, militantes e simpatizantes dos candidatos ao exercício do poder político no decorrer das campanhas eleitorais, por hábito, “medem” a quota de popularidade ou “fazem a projecção” dos resultados possíveis nas eleições através da afluência dos cidadãos aos comícios populares.

É entendimento quase generalizado de que, o facto de as pessoas acorrerem aos milhares aos comícios que se organizam, é prenúncio de vitória sem falta. Quem consegue muitas gentes nos comícios é automaticamente catalogado como provável vencedor porquanto “o povo deu mostras de estar com ele”.

Ora, pelos vistos dos primeiros anos da abertura política até as eleições de domingo passado, dia 10 de março, a afluência de milhares de pessoas aos comícios nem sempre SIGNIFICA promessa de votos garantidos para qualquer organizador de meeting. Sobretudo nas situações em que se faz recurso a participantes movimentados de outras localidades para demonstrar “grande aderência popular” a um projecto político.

De igual modo, está confirmado que os banquetes que são organizados nos diferentes Círculos Eleitorais, concretamente nos distritos eleitorais (nas bancadas dos jovens), em que se matam animais (vacas, cabras ou porcos, dependendo da área), na esmagadora maioria dos casos, depois da contabilização dos votos chega-se a conclusão de que não expressam a “participação” que se esperava como garantia de VOTO CERTO.

Também, está confirmado por gente que sabe, que nem todas as alegadas “compras de consciência” dão bons resultados. Em muitos casos, depois da contabilização dos resultados verificam-se casos em que os implicados chegam a vias de facto para resolver a questão.

A luta pela conquista de votos na Guiné-Bissau tem sido feita com avultados investimentos em dinheiro, materiais de construção e obras de construção de infra-estruturas (estradas, pontes, escolas, hospitais) para convencer o eleitorado. Com isso, a apresentação dos programas eleitorais é feita apenas para o “inglês ver” uma vez que, pode-se dizer, a teoria (as promessas veladas) pouco interessa aos potenciais eleitores. É a prática corrente. Essa atitude é justificada pelo facto da maioria das promessas que ao longo dos anos têm sido feitas um pouco por todos os cantos do país não terem sido cumpridas ficando-se apenas pelas intenções.

Hoje em dia, é flagrante a mudança de comportamento dos Partidos Políticos e dos candidatos a DEPUTADOS DA NAÇÃO, e também dos Candidatos Presidenciais. Todos sabem que é preciso MEIOS CONSIDERÁVEIS, principalmente, DINHEIRO para “convencer” os eleitores. Por isso, alguns candidatos a DEPUTADOS DA NAÇÃO escolhem criteriosamente o Circulo eleitoral em que vão concorrer não só tendo em conta os conhecimentos que têm na área mas também as intervenções que tem feito com antecedência calculada nomeadamente no sector social e na reparação de algumas infra-estruturas. Tem resultado em muitos casos.

Tendo em conta o que se disse atrás, não é de estranhar que dos 21 (vinte e um) partidos concorrentes às Eleições Legislativas, apenas SEIS tenham conseguido eleger deputados. Os restantes ficaram pelo caminho não obstante alguns não se terem candidatado em todos os círculos eleitorais mas apenas naqueles em que supunham ter alguma expressão que pudesse traduzir-se em MANDATOS na ANP. Infelizmente a maioria não teve essa sorte.

ESPERA-SE que um dia HAJA CORAGEM DE ACABAR COM ESSA PRÁTICA e que seja interdita como recomenda a lei à semelhança de muitas partes do mundo.

Cada acto eleitoral tem a sua história. Certamente o que se passou nas últimas eleições servirá de lição para muito boa gente. O POVO espera nova era, novos procedimentos, novas formas de gestão, que marquem efectivamente uma viragem magistral aos actos POSITIVOS de governação.