Tuesday, March 02, 2021
OPINIÃO

PARADIGMA LUIS CABRAL

Março 05, 2019
  

O melhor que a democracia trouxe á Guiné-Bissau, foi o resgate do cabralismo da condição de suposto património de um partido e o tornou naquilo que na verdade é: um bem de toda a nação guineense.

O melhor que a democracia trouxe á Guiné-Bissau, foi o resgate do cabralismo da condição de suposto património de um partido e o tornou naquilo que na verdade é: um bem de toda a nação guineense. Hoje o cabralismo está à disposição de todas as formações politicas do país. Apropriado pelo povo guineense desde a luta de libertação nacional, o cabralismo, tanto no sentido doutrinal como no de prática dirigente, constitui o conjunto de critérios essenciais de avaliação de identidades e práticas politicas. A nação guineense, progressivamente está-se servindo deste património para seguir, combater ou afastar-se de projectos, partidos e dirigentes políticos.

“Pela boca morre o peixe”; “Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és”. À luz destes dois provérbios, acompanhamos atentamente a campanha eleitoral em curso no nosso país. Como sempre acontece, os partido vão às eleições com um programa eleitoral, que acaba por ser a matriz do programa de governo daquele que vencer. Como é sabido, apesar da excelente qualidade dos programas que nos têm sido propostos, desde que iniciamos o ciclo democrático, nunca um governo concluiu o seu mandato e, de todos eles, os seus membros criaram ou ampliaram patrimónios pessoais e nenhum deixou marcos de grande diferença do precedente. Será esse triste facto, de ordem programática? Dito de outro modo: será que estava inscrito no programa? O volume de património que os que no aparelho de Estado, (da presidência da república, passando pelo governo, ANP, poder judicial, até ao aparato administrativo em geral) criaram para si, é incomparavelmente superior ao património público que construíram com recursos e rendimentos nacionais que geriram. Se não fosse a cooperação com a China, presidência da república, ANP, governo, STJ, PGR, para citar que estes casos, estariam sediados em “djemberens” ou barracas de “krintim”.

Falando dos protagonistas desta desgraça, constata-se que o grupo é quase sempre o mesmo. Vão trocando de pelouro mas não de manha. Será por razões de ordem programática, que cada vez que as ratazanas passam pelo celeiro, a pobreza dos governados aumenta na proporção directa do enriquecimento dos governantes? Cá para mim, mais que o programa, o importante é o caracter de quem se apresenta a pedir que se vote nele para o implementar.

Na nossa história há uma figura referencial, que me inspira no momento de votar. Essa figura é a de Luis Cabral, primeiro Presidente da nossa República da Guiné Bissau, forjada pela luta heróica de mais de 99% de pobres e analfabetos que constituíam o povo guineense. O Presidente Luís Cabral, tanto na qualidade de Chefe de Estado como na de dirigente partidário, nunca se esqueceu de que Amílcar Cabral e ele mesmo, eram partes integrante desses 99% de pobres e analfabetos, donos do país que se dispuseram a servir. Nunca se julgou “acima da média dos guineenses” quanto mais pronunciar tal baboseira; nunca fez recurso ao anuncio de sua pertença étnica, social, religiosa, para angariar apoios ou votos, seja para o que for. Hoje, em nenhum lugar na Guiné-Bissau, nem no resto do mundo, existe uma propriedade registada em nome do Presidente Luís Cabral, seu parente ou darente, enquanto exerceu o cargo de Chefe de Estado e partidário.

Sabemos que não sabemos ler e entender programas; sabemos que somos “indígenas” “atrasados e incapazes”, nas cabeças de alienados e “civilizados” à moda colonial (“tugas di tera”). Tambem sabemos que certos dirigentes não sabem que, nem o próprio Amílcar Cabral conseguiria liderar-nos, vencer como venceu, se não tivesse em devida conta esta sua magistral e dogmática afirmação, que citamos: “ O POVO NÃO LUTA PELO QUE ESTÁ NA CABEÇA DOS DIRIGENTES…, LUTA PARA RESOLVER OS SEUS PROBLEMAS DO DIA A DIA…”. AC

Parafraseando o nosso líder eterno, o povo pode ser analfabeto e pobre, mas não é ignorante. Sabe o que quer. Quer ter à sua frente gente que tem por ele real afecto; alguém cuja trajectoria política isso confirme; alguém que, quanto ao património que tem no país e no estrangeiro, não precisa de “lavagem judicial” para provar que o tem pelo seu trabalho e de forma legal.

POVO DI GUINÉ I RAÇA LINGRON. I TA BABA NAM SOM, MA I KA TULO

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