Tuesday, March 02, 2021
POLÍTICA

VIII CONGRESSO DO PAIGC : QUEM ASSUMIRÁ A PRESIDÊNCIA DO PARTIDO DE CABRAL?

Março 12, 2013
  

Até esta data, já formalizaram a candidatura à liderança do PAIGC Aristides Ocante da Silva, Braima Camará, Carlos Gomes Júnior, Domingos Simões Pereira, José Mário Vaz e Vladimir Deuna. 

JOSÉ MÁRIO VAZ

O antigo ministro das Finanças da Guiné-Bissau José Mário Vaz apresentou-se quinta-feira como candidato à liderança do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), para “ganhar o partido” e “ser primeiro-ministro”.

José Mário Vaz que era o ministro das Finanças do Governo de Carlos Gomes Júnior deposto no golpe de Estado de Abril de 2012 disse que quer ser presidente do PAIGC para continuar “a servir o país”, que precisa “do esforço de todos”.

Manifestou a sua vontade de continuar ao serviço da Guiné-Bissau, reconhecendo o desafio que espera pela frente na disputa com outros candidatos, tendo sublinhado que existem grandes desafios, nomeadamente a organização interna do partido e o crescimento da economia da Guiné-Bissau, bem como o combate ao desemprego nas camadas jovens.

Além de ganhar a presidência, no congresso do partido marcado para Maio, José Mário Vaz quer depois ganhar as próximas eleições legislativas para ser primeiro-ministro e implementar um programa que assenta em cinco pilares: arroz, caju, riqueza do mar, água e rede eléctrica.

“Durante esses anos todos vim acumulando experiência e estou em condições para poder continuar a ajudar o meu país, apresentando a minha candidatura à liderança desse grande partido”, disse José Mário Vaz, empresário e licenciado em Economia, em Portugal.

O ex-ministro afirmou-se inocente e sobre o caso, que está em segredo de justiça, nada mais se soube.

Defendeu que o objectivo da sua candidatura à liderança do PAIGC, visa «dar felicidade» ao povo guineense.

“Candidato-me porque sou um homem feliz. Trato bem a minha mulher e os meus filhos, somos uma família feliz e quero que outras famílias também o sejam”, disse.

O candidato à liderança do PAIGC sublinhou que «sou feliz, vivo feliz, porque é que não posso partilhar esta felicidade com outras pessoas? Gostaria que fosse mesmo extensível a todos», referiu.

José Mário Vaz mencionou também algumas situações que deverão ser resolvidas para a afirmação do PAIGC, que passam pela reconciliação da base do partido com os responsáveis máximos, pela situação financeira e pelo consequente desenvolvimento do país: «A base e o topo não falam a mesma linguagem».

Se ganhar propõe-se “reconciliar a família PAIGC”, fazer o saneamento das finanças do partido e criar uma empresa para gerir os rendimentos e fazer uma inventariação do património do PAIGC. Disse acreditar nos seus apoiantes e, consequentemente, na sua eleição.

«Se não houver reconciliação na família PAIGC, vamos ter problemas sérios. Cada um de nós deve contribuir para esta reconciliação», apelou o candidato.

A partir de agora, afirmou, vai começar a campanha para o congresso marcado para Maio, que classifica desde já de interessante, porque os candidatos são todos “jovens e esclarecidos”.

Relativamente ao funcionamento da Administração Pública, classificou o Estado guineense de «atrevido», que desconhece a sua área de actuação.

«O Estado da Guiné-Bissau não conhece o seu lugar, é desorganizado e incompetente», referiu.

José Mário Vaz afirmou que, em caso de derrota, vai aceitar os resultados da votação, tendo lembrado que as situações de género têm gerado polémica em ocasiões semelhantes.

Depois do golpe viajou para Portugal e regressou recentemente à Guiné-Bissau, onde o Ministério Público o mandou deter durante dois dias a propósito de um alegado desvio de dinheiros.

DOMINGOS SIMÕES PEREIRA

Domingos Simões Pereira defende que a sua candidatura à Presidência do PAIGC visa responder a vários problemas presentes na sociedade guineense. Fala sobre a situação política guineense, o seu projecto de candidatura a liderança do PAIGC e a sua visão de futuro para o pais.

Em declarações à imprensa o ex-secretário Executivo da CPLP, chama a atenção dos guineenses ao facto de que a sua candidatura não visa obter qualquer «emprego», mas sim trabalhar em prol da melhoria da situação do país.

“Tentei demonstrar que não somos um caso especial, apesar da gravidade e que existem referencias mundiais que nos podem servir. Contudo, fazer as escolhas certas só dependem de nós”, informa Domingos Simões Pereira na sua página pessoal no Facebook, avançando ainda que “a minha candidatura é um corolário normal do meu percurso político e de militância no PAIGC. Após 33 anos de militância, o conhecimento e a experiência acumulada me asseguram ter algo a partilhar.”

Em relação à sociedade guineense, o candidato disse que o exercício que lhe é pedido visa a protecção daqueles que têm pior argumento, tendo frisado que existem gravíssimos problemas de confiança no seio da população guineense.

O ex-secretário Executivo da CPLP afirmou que os cidadãos estão com mais atenção em «separar os santos dos diabos», dando como exemplo o que acontece em algumas instituições públicas, como o caso da venda de terrenos na Câmara Municipal de Bissau, e o que se passa no Ministério das Pescas.

Domingos Simões Pereira interroga-se sobre os motivos que levam ao levantamento destas questões apenas quando acontecem situações fora do normal e não quando o país atravessa momentos estáveis.

Para isso, Domingos Pereira acredita dispor dos requisitos da integridade moral, de competência e de um projecto de sociedade.

“Sobre este último, falei das reformas necessárias no partido e da necessidade de escolhas claras em matéria de políticas públicas com a educação, em primeiro plano.”, sublinhou.

Por outro lado, responsabilizou todos guineenses pela situação em que o país se encontra. Segundo ele, a situação não é da exclusiva responsabilidade das Forças Armadas.

Carlos Gomes Júnior, presidente do PAIGC até ao Congresso, formalizou a sua recandidatura através de uma carta enviada de Portugal, onde se encontra desde que foi alvo do golpe de Estado de abril de 2012,

CARLOS GOMES JÚNIOR

Carlos Gomes Júnior, presidente do PAIGC até ao Congresso, formalizou a sua recandidatura através de uma carta enviada de Portugal, onde se encontra desde que foi alvo do golpe de Estado de abril de 2012.

BRAIMA CAMARÁ

Braima Camará, presidente da Câmara de Comércio Indústria Agricultura e Serviços e deputado da Nação  é candidato a presidente do PAIGC no VIII Congresso a ter lugar em  maio. O candidato Braima Camará, defende uma liderança democrática e inclusiva no seio do PAIGC e mostrou-se disponível, por amor à Pátria e a pedido de numerosos núcleos importantes do Partido, nomeadamente de altos dirigentes, jovens, mulheres e sindicalistas pertencentes às organizações sociopolíticas do PAIGC, no sentido de conduzir um projecto visando o surgimento de um “Melhor PAIGC”, unido na sua diversidade e capacitado para enfrentar os seus adversários políticos, estando aberto à crítica susceptíveis de fazer o Partido melhorar, tornar-se num partido mais forte e mais dinâmico, para o bem de todos, porque, segundo defende o próprio candidato, citamos, “nós do PAIGC sempre fomos e continuaremos a ser a força da mudança e a mudança tem sido a nossa força”. Afirma estar aberto à críticas capazes de melhorar o Partido, tornar-se num partido mais forte e mais dinâmico, para o bem de todos, porque, “nós do PAIGC sempre fomos e continuaremos a ser a força da mudança e a mudança tem sido a nossa força”.

Eis, algumas das medidas que figuram no projeto de Braima Camará caso assumir a liderança d PAIGC:

– Recuperar e modernizar as Infra-estruturas do Partido, tanto em Bissau, como ao nível das Províncias, Regiões e Sectores;

– Abrir representações do PAIGC nos principais Países de acolhimento dos nossos emigrantes, nomeadamente Senegal, Portugal, Espanha, França e Inglaterra;

– Apetrechar as representações do Partido, tanto no País como no Estrangeiro, de modernos meios de Tecnologias de Informação e Comunicação, para dinamizar as nossas actividades e tornar possível a nossa comunicação em tempo real;

– Criar estímulos e condições materiais e financeiras para que jovens quadros, sobretudo especializados em Ciências Políticas, Sociais e Humanitárias, possam trabalhar a tempo inteiro no Partido, sem prejuízo do seu nível de formação, ajudando a adequar o Partido às exigências da modernidade;

– Combater a indisciplina partidária, através da reforma estatutária, que deverá prever sanções mais severas aos prevaricadores, inclusive a expulsão definitiva das suas fileiras;

– Promover o recenseamento geral dos militantes do Partido, tanto dentro como fora do País, criar uma base de dados, para permitir que no futuro as eleições do Presidente do Partido sejam feitas DIRECTAMENTE, pelos Militantes, desde que tenham as suas situações regularizadas, conforme os parâmetros que serão adoptados pelos Estatutos. Desta forma, os Congressos passariam a ser fóruns de confirmação da liderança escolhida pelos Militantes, Palco de congregação de toda a nossa família partidária a volta de um único projecto e de adopção de estratégias para as eleições.

VLADIMIR DEUNA

Vladimir Deuna, 29 anos, o mais novo candidato à liderança do PAIGC, diz que se for eleito quer ser primeiro-ministro para implementar o modelo de combate a fome do ex-Presidente do Brasil Lula da Silva “Fome Zero”.

o jovem candidato licenciado em Direito no Brasil, garante que vai ser o futuro primeiro-ministro da Guiné-Bissau porque vai ganhar o congresso do PAIGC a decorrer em Maio.

“Quero reconciliar e renovar a família do PAIGC. O partido precisa da nova geração que não tem compromisso com ninguém senão com o povo. Vou ser presidente do partido e ir para eleições com quadros competentes para assumir a governação a partir das próximas eleições gerais”, afirmou Deuna.

O jovem diz que se for primeiro-ministro não vai perder tempo e a sua prioridade será formar um “Governo coeso” e arrancar com o programa “Fome Zero” que resultou num estrondoso sucesso no Brasil.

“Quero ser o Lula da Silva da Guiné-Bissau. Amílcar Cabral dizia que devemos seguir os bons exemplos pois isso não é vergonha e nem é errado. Lula da Silva transformou o Brasil, antes de ele chegar ao poder a pobreza no Brasil era extrema mas ele diminuiu isso bastante. Eu quero fazer a mesma coisa aqui”, frisou.

“Eu quero salvar o meu povo. Como é que penso fazer isso? É ser presidente do PAIGC e logo ser candidato a primeiro-ministro, formar um Governo forte e implementar a política de Fome Zero na Guiné-Bissau”, explicitou.

Vladimir Deuna diz ser “um animal político”, que se preocupa com os demais, mas que quer cooperar com países que forem justos com a Guiné-Bissau.

“A Guiné tem potencialidades, é só fazer cooperação justa com países como Rússia, China, Cuba e Brasil”, observou Deuna, dizendo que não tem medo de nenhum dirigente que se queira candidatar à liderança do PAIGC.

E acrescentou: “Isto não é uma aventura, eu preparei-me para isto há muito tempo”.

“O meu nome é doutor Vladimir Deuna mas decidi chamar-me Vladimir Deuna Abel Djassi para homenagear a organização dos pioneiros do partido. Não tenho medo dos outros candidatos, porque eu sou jurista, com domínio do Estado. Não tenho medo das elites. Sou humilde, sou filho de camponês. Quero debates internos para que os militantes possam saber qual de nós está melhor preparado”, afirmou.

ARISTIDES OCANTE DA SILVA

O antigo ministro Aristides Ocante da Silva apresentou candidatura a líder do Partido PAIGC que quer ver unido, participativo, moderno e inclusivo.

“Depois de 37 anos de atividade política sinto-me com capacidade para enfrentar novos desafios”, disse o dirigente político na cerimónia de apresentação da candidatura, toda ela com referências a Amílcar Cabral, o fundador do partido em 1956 e assassinado fez no domingo passado 40 anos.

Uma cerimónia, durante a qual, apresentou igualmente o seu manifesto, intitulado: pelo PAIGC, Força, Luz e Guia do Nosso Povo Sou continuador de Cabral.

No documento de 14 páginas, Aristides Ocante da Silva, aponta as razões da sua candidatura. Defende nesta perspectiva, a necessidade de uma reforma profunda e estrutural no seio do PAIGC.

Fazendo um historial do que foi o PAIGC ao longo dos anos, disse que é esse legado, do partido e do seu fundador, que reivindica, e acrescentou que se sente com capacidade para fazer face aos novos desafios e à continuação das reformas no sector da Defesa e a dignificação dos antigos combatentes.

Quer um partido sem ideologias marxistas ou capitalistas mas “de desenvolvimento”, moderno e dinâmico, prometendo que, caso não ganhe no congresso de maio, irá trabalhar com o vencedor.

Aristides Ocante da Silva, 46 anos, é biólogo, membro do bureau político do PAIGC e iniciou-se na política aos nove anos, como “pioneiro” do partido. Era ministro da Função Pública no Governo de Carlos Gomes Júnior na altura do golpe de Estado do ano passado.