Saturday, November 27, 2021
POLÍTICA

PAIGC E SOCIEDADE CIVIL ENCOSTAM JOMAV À PAREDE

Maio 25, 2019
  

Nas primeiras horas deste sábado, 25 de Maio, as ruas de Bissau foram animadas pela manifestação pacífica dos jovens apoiantes do PAIGC, APU-PDGB, UM e PND, partidos que rubricaram o acordo de incidência parlamentar que dá corpo à maioria parlamentar na X Legislatura iniciada no dia 18 de Abril passado.

No discurso que marcou o fim da terceira manifestação pacífica, muito concorrida, dos jovens dos partidos que assinaram o acordo de incidência parlamentar, o líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira (DSP) defendeu que a única via do país se reencontrar com o seu destino é aplicar a lei para mais a frente sublinhar que “na democracia é a vontade do povo que prevalece”, por isso, “tem que ser ouvido e respeitado”, uma vez que “é a hora e o momento da Guiné- Bissau reportar o império da lei”.

DSP afirmou, que o Presidente José Mário Vaz, está numa situação de refém, facto que exige o esforço do povo para o retirar dela apelando as forças armadas a “abrir alas ao povo” para este “resgatar os seus direitos”.

“Quando o Presidente da República, primeiro magistrado da nação, garante da estabilidade e Comandante-em-Chefe das Forças Armadas, afirma ter medo, o que é que o povo espera?”, questiona DSP, precisando que o Chefe de Estado não está em condições de comandar as Forças Armadas, o que justifica que “o povo pede às Forças Armadas para abrir alas para que possa resgatar o seu respeito e direitos que lhe assiste”.

Reportando sobre o seu encontro com os Chefes de Estados da África Ocidental sobre o impasse na Assembleia Nacional Popular, Domingos Simões Pereira afirmou não compreender certos pedidos, visando deixar a lei de lado, “se alguns destes mesmos Chefes de Estados africanos apelidam a Guiné-Bissau de um Estado falhado”.

“Não compreendemos ainda como é que a Guiné-Bissau é chamada de narco-Estado e assiste-se, contudo, a apelos para sermos tolerantes para com os narcotraficantes”, questiona, o líder do PAIGC.

Domingos Simões Pereira afirmou ser esta a última manifestação com este formato porquanto, garantiu que, a próxima marcha “será para responsabilizar as pessoas e removê-las da situação de sequestro em que se encontram”, um aviso e referência clara ao PR JOMAV.

A”Guiné-Bissau está em risco”, denunciou para a seguir defender que está na “hora dos guineenses levantarem-se para resgatar os seus direitos, porque amanhã poderá ser tarde”.

Recorde-se que as manifestações voltaram às ruas de Bissau, depois de o Presidente José Mário Vaz ter recusado convidar o PAIGC, vencedor as eleições, para indicar o primeiro-ministro e consequentemente formar um novo Governo, evocando um alegado “impasse” na Assembleia Nacional Popular, devido a reprovação pela maioria dos deputados, do nome do líder do MADEM-G15, segunda força mais votada, Braima Camará, proposto para o cargo de Segundo vice-presidente da ANP.

Sociedade civil exige nomeação de Primeiro-ministro

As organizações da sociedade civil da Guiné-Bissau exigiram esta sexta-feira ao Presidente guineense, José Mário Vaz, a nomeação do primeiro-ministro no “prazo mais curto possível” e a marcação de eleições presidenciais

Numa declaração pública lida depois do encontro de reflexão realizado na Casa dos Direitos, em Bissau, as organizações da sociedade civil exigiram ao Presidente da República “a nomeação, no prazo mais curto possível, do primeiro-ministro saído das eleições do dia 10 de Março, de forma a concretizar a vontade popular expressa nas urnas”.

Movimento dos Cidadãos Conscientes e Inconformados

O que José Mário Vaz está a fazer é um autêntico golpe de Estado pelo que o parlamento devia empossar o novo Primeiro-ministro e o seu executivo disse quinta-feira (23 de Maio) em conferência de imprensa Sana Canté, presidente do MCCI (Movimento dos Cidadãos Conscientes e Inconformados).

Nós entendemos, perante este cenário, não havendo uma outra entidade mais do que a Assembleia Nacional Popular – numa democracia representativa em que é na ANP que o povo é representado – por isso estamos aqui nesta conferência a exigir que a ANP imediatamente crie condições para conferir posse ao novo primeiro-ministro e consequentemente ao novo governo”, afirmou Sana Canté.

O Movimento dos Cidadãos Conscientes e Inconformados juntou-se a sua voz aos protestos contra o Presidente José Mário Vaz.