Monday, November 18, 2019
EDITORIAL

A INCÓMODA INGERÊNCIA EXTERNA, O LAMENTO DE JOSÉ MÁRIO VAZ

Julho 02, 2019
  

Por: Humberto Monteiro

“Nós, em vez de nos sentarmos na nossa casa e discutirmos como irmãos para encontrar soluções para os problemas que temos e resolvê-los internamente, preferimos entregar os problemas a outras pessoas. Isso coloca-nos numa má posição. Perdemos o respeito dos outros e perdemos outras coisas que nem imaginamos”.

– José Mário Vaz, Presidente da República cessante depois de participar na Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da CEDEAO em Abuja, Nigéria.

A primeira recção de quem ouve ou lê esta frase é, ou pode ser esta: “ O Sr. Presidente cessante tem absoluta razão.”

Mas rebuscando na sua memória recente, apenas quatro antes, verá que a pratica vem de longe. Então, como surgiu o famoso AXORDO DE CONAKRY?

Quantas deslocações foram feitas ao exterior, em busca de soluções para a crise despoletada com a demissão do Primeiro-ministro em 2015?

Quantos mediadores foram chamados a intervir durante a vigência da crise?

Ora, é indubitável que a parte alegadamente prejudicada optou por esse recurso quando viu que daqui, internamente, não saía nada, como solução, que fosse ao encontro daquilo que entendiam ser reposição da legalidade constitucional.

Quantas organizações internacionais foram apelados a intervir? ONU, UA, CEDEAO, UE, CPLP… Em Bissau até foram titulados G5. Quantos encontros mantiveram com as partes? Quantas declarações foram feitas depois dos encontros realizados? Depois de audiências com o Chefe de Estado?

Os OITO Primeiros-ministros sucederam-se todos no âmbito de acordos celebrados foram dos quatro cantos da Guiné-Bissau.

Porquê e para quê, chorar agora pelo leite derramado?

Para a posteridade ficam registados o sofrimento, as situações de tensão social, mal estar criados entre ao cidadãos, a desgovernação do aparelho de estado, o agravamento de intrigas… também fica registada a forma como o guineense se viu diminuindo ao olhos do mundo pela incapacidade de resolver os seus problemas, a facilidade com que se entrega às manipulações geopolíticas…

Também ficam registadas as inconveniências, as desvantagens que as intransigências produzem sobretudo quando poem em causa os interesses superiores da Pátria e do povo. Ou, quando o antagonismo é de cunho pessoal