Sunday, June 20, 2021
OPINIÃO

AFINAL… O QUE É QUE O GUINEENSE QUER?

Junho 30, 2019
  

PAIGC, “não presta”! MADEM-G15 “não presta”! PRS “não presta”! Os “ nossos” Partidos “não prestam”! Os “nossos” dirigentes “não prestam”! As nossas instituições “não prestam”! As nossas Leis “não prestam”!

“Afinal, o que é que vale nesta terra?”

“Afinal, o que é que tem valor nesta Pátria?”

“Afinal, quem merece respeito neste país?”

Resumindo essas questões numa única: AFINAL, O QUE É QUE O GUINEENSE QUER?

É a grande questão que eu me coloco e, concomitantemente, coloco a todos os meus compatriotas, independentemente de ser KOR KLARU, PRETU NOK ou BURMEDJU WAK; independentemente do sexo, credo religioso ou RAÇA (leia-se etnia).

O guineense é um insatisfeito nato. Nunca está satisfeito; nada o contenta… O seu apoio é intermitente, inconsistente e inconsequente. Tudo isso não por ser perfeccionista ou por ter ambição de progredir, de fazer o que tem a fazer cada vez melhor, com requinte…

Algumas descrições de algumas coisas já vistas ou que já ocorreram justificam esta aferição, que, mais que uma crítica, é uma triste constatação ou melhor um amargurado desabafo.

O Presidente Luís Cabral deposto do poder em 1980 por um golpe de estado, anos depois, poucos, até hoje mesmo, é considerado em muitos meios, pelos mais variados motivos, “MINDJOR” (melhor) que o presidente Nino Vieira. Dizia-se “Tê pa Nino, Mindjor Luís Cabral!” (Dos dois Presidentes a preferência caía em Luís Cabral). A mesma cena se repetiu quando Kumba Yala sucedeu Nino Vieira no poder). 

Ao contrário do que se verifica em muitas partes do mundo, os valores nacionais são pouco realçados pelo guineense. Prefere realçar as outras partes, fazer comparações muitas vezes sem cabimento porque não considera as diferenças de realidade, contexto, nem de conjuntura para cada caso. E vai julgando, menosprezando, sub-valorizando o “seu” e engrandecendo os atributos alheios na maioria das vezes sem apontar soluções ou propostas melhores para resolver os negativos observados e criticados. Tudo isso dá impressão de que falta alguma estima; que a AUTOESTIMA NACIONAL está ao nível da FOSSA DAS MARIANAS (o lugar mais profundo do oceano pacífico). Importa realçar que tudo isso é agravado pelo o grande “pecado” cometido por muita gente, que é FALTA DE HUMILDADE, o facto de SABER TUDO, TER CONHECIMENTOS SOBRE TUDO, PODER TUDO, que longe de facilitar ou ajudar a solucionar os problemas, COMPLICA-OS TODOS DIAMETRALMENTE.

Nasceram partidos políticos para todos os gostos e todos os fins. As REMENDA-REMENDA (imitações) que levaram a essas iniciativas apenas serviram para dividir e fragilizar as estruturas sociais. Esses mesmos partidos não se entendem quer interna quer externamente… as grandes questões da vida nacional foram preteridas, os debates, os diálogos nacionais “receitados” por organismos internacionais deram os resultados que se reflectem na vida política nacional, quer dizer POUCO ou NADA… O eco das grandes vontades de muito fazer, não se propagaram suficientemente nos devidos espaços.

POR TUDO ISSO, os GUINEENSES mantêm-se no mesmo lugar, vão girando na mesma rotunda durante todos os anos da independência, desde o monolitismo partidário de 1974 a 1994, e, dali aos últimos 25 anos do exercício do pluralismo democrático, sem dar passos significativos dignos de tomar em consideração e, eventualmente, constituírem pontos de referências do “DÉPART” (arranque) em direcção ao almejado progresso e desenvolvimento. Os grandes programas de desenvolvimento traçados até aqui não deram nada; casos de DJITU TEM KU TEM e, mais recentemente, TERRA RANKA (este último não teve os resultados esperados devido à crise política despoletada depois das eleições de 2014).

POR TUDO ISSO… O país vive uma GRAVE CRISE quando se devia viver uma NOVA ERA, volvidos cinco anos de crise, depois das eleições legislativas de 10 de março passado, reconhecidamente, bem-sucedidas. O PODER JUDICIAL e o PODER LEGISLATIVO estão confrontados com uma situação SUI GENERIS que requer solução imediata, mas cujo desfecho ninguém aventura diagnosticar.

POR TUDO ISSO… O país está desacreditado aos olhos do mundo, políticos e homens de lei de outros quadrantes ingerem com as mais variadas intenções; a comunidade internacional, como diz o francês, “soufflé le chaud et froid” entre as partes e não diz nada, enquanto internamente, EM NOME DOS INTERESSES SUPERIORES DA PÁTRIA, os “galos de briga” desfilam nos MEDIA “majestosamente” em confrontos que mais não fazem que comprometer o funcionamento das instituições do Estado e a vivência dos cidadãos.

E DIZEM QUE QUEREM PAZ, ESTABILIDADE, PROGRESSO E DESENVOLVIMENTO!

AFINAL O QUE É QUE O GUINEENSE QUER?