Monday, November 18, 2019

REFLEXÃO

CARLOS GOMES JÚNIOR CANDIDATO PRESIDENCIAL PARA VENCER OU PARA MORRER?

Julho 19, 2019
  

Por: Humberto Monteiro

Carlos Gomes Júnior anunciou, no sábado (13/Julho) ao país e ao mundo, formalmente, a sua intenção de se apresentar às eleições presidenciais como CANDIDATO INDEPENDENTE queimando a etapa que eventualmente o levaria a tomar parte nas prévias no seu Partido, ou seja, eleições para seleção do candidato a apoiar, oficialmente, pelo PAIGC, acto que certamente contará com muitos postulantes cada qual com seu peso e sua influência algures.

Muito se falou da sua candidatura. Até circularam rumores, como não podia deixar de ser na Guiné-Bissau, que davam conta da sua provável desistência por imposição da família que receia a perpetração de qualquer atentado à sua integridade física, à imagem do que sucedeu ao General Nino Vieira, assassinado no dia 02 de março de 2009, depois de ter regressado do exílio de 6 (seis) anos em Portugal, em Abril de 2005, e vencido as eleições presidenciais de 24 de Julho do mesmo ano.

Devido à elevada quota de popularidade interna (e externa) ao que tudo indica, todas as “baterias” vão ser apontadas contra este político. Os primeiros sinais foram dados por José Mário Vaz ao fazer ondas sobre o “caso dos 12 milhões de dólares de angola” chegando ao ponto de apontar os nomes dos eventuais “conhecedores” do caso com destaque, obviamente, a Carlos Gomes Júnior. É de esperar um conserto de fogo cruzado, conforme atestam observadores atentos, procedente de eventuais interessados a que não se apresente às eleições de Novembro.

Empresário bem-sucedido, antigo Primeiro-ministro, também bem-sucedido, antigo presidente do PAIGC, igualmente bem-sucedido, Carlos Gomes Júnior pode ser um dos candidatos às Presidenciais de 24 de Novembro próximo, de maior peso. Em termos financeiros “pesa” muitas centenas de milhões de francos CFA; em termos políticos a reputação conquistada entre os seus pares, militantes, no seio do PAIGC que o projectou à liderança do maior partido político do país, constituem um leque de factores que podem fazer a balança pender a seu favor no próximo escrutínio.

A equipa que o rodeia é constituída por elementos da assessoria da campanha eleitoral de José Mário Vaz em 2014 mas que, hoje, pelos vistos bandearam para o lado do candidato independente ao lado do qual estiveram em 2012 durante a campanha eleitoral e posteriormente, durante algum tempo, no breve exílio a Portugal. Alguns terão tomado parte na FRENAGOLPE (Frente Nacional Anti-Golpe) que contestou o levantamento militar, deram a cara em actos que condenaram a destituição do então Presidente da República de transição e do então candidato à segunda volta que todos apontavam, antecipadamente, como “vencedor incontestável”.

O golpe de estado de 12 de Abril travou inopinadamente a sua ascensão à magistratura suprema do país porquanto aconteceu, quando o país se preparava para ir à segunda volta das presidenciais, por iniciativa de um “Comando Militar” que tomou o poder destituindo o presidente interino, Raimundo Pereira, e o então primeiro-ministro. Segundo observadores atentos, se não tivesse sido esse percalço a obstaculizar, Carlos Gomes Júnior reunia todas as condições para vencer as presidenciais.

Muita tinta correu nessa altura, organizações internacionais envolveram-se e pronunciaram contra a alteração da ordem democrática. Internamente houve movimentos de contestação. Subsequentemente, um mês depois, as Nações Unidas impuseram sanções aos alegados autores, solicitando aos seus membros “que tomem as medidas necessárias para proibir a entrada ou a passagem pelo seu território” de cinco responsáveis, entre os quais o chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas António Indjai e o seu adjunto General Mamadu Turé, o General Estevão Na Mena, o General Ibraima Camará e o tenente-coronel Daba na Walna (hoje General).

Mas, na verdade, mais que os processos que Carlos Gomes Júnior poderá eventualmente ser chamado a responder no foro judicial, mormente o caso dos 12 milhões de dólares do fundo de Angola, impendem sobre este político graves acusações sobre o seu alegado envolvimento em casos de homicídios de várias personalidades de vulto no país.

CARLOS GOMES JÚNIOR VAI RESPONDER ACUSAÇÕES DE HOMICÍDIOS?

Muito se teme pela vida desta célebre figura política nacional alegadamente por saber dessas mortes. Tem circulado rumores de que eventualmente poderá ser morto, em jeito de vingança, para saldar essa “conta”.

Efetivamente, dentre essas acusações as mais pesadas são as que supostamente o apontam como mandante dos assassínios dos generais Nino Vieira na altura Presidente da República, e, Tagme na Waie, então Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas (em 2009). Na funesta lista ainda estão incluídos Baciro Dabó, antigo ministro do Interior e candidato presidencial, Hélder Proença, antigo ministro da Defesa Nacional, Roberto Cacheu antigo secretário de Estado da Saúde…

Até hoje não foram apresentadas pública e oficialmente provas do seu envolvimento na qualidade de ordenador dessas mortes. Por outro lado, há relativamente bem pouco tempo o PGR destituído Bacar Biai, anunciou em Dezembro de 2017 que em obediência a uma ordem judicial seriam arquivadas as investigações sobre o assassinato de João Bernardo Vieira porque, “o Tribunal Constitucional manda que seis meses depois do início de qualquer averiguação em curso no Ministério Público ou há uma acusação ou o processo é arquivado”.

Por outro lado a calma e ordem nas casernas são factores encorajadores e que prenunciam paz e estabilidade e dão confiança à toda a sociedade.

CARLOS GOMES JÚNIOR E OS CAMARADAS DO PAIGC

Se bem que algumas situações tenham sido criadas antes do Congresso de Cacheu, terá sido nessa reunião que as linhas de demarcação das alas se aventuraram definitivamente. A nova liderança, não obstante os esforços feitos, não conseguiu consolidar a união interna eliminando o antagonismo gerado na reunião do órgão máximo durante o processo que culminou com a eleição e composição dos órgãos conforme reza o estatuto daquela formação política.

O facto de ter havido cisão resultante da expulsão dos 15 deputados demonstra que nem tudo vai bem no seio do “Partido dos libertadores”.

Fruto dessa fissão o PAIGC perdeu votos e viu a sua bancada parlamentar baixar de 57 deputados na IX Legislatura (2014/2018)) para 47 nesta X Legislatura.

Importa sublinhar, que a HISTÓRIA REPETE-SE.

Tal como Carlos Gomes Júnior recusou apoio do PAIGC a Nino Vieira, hoje, o PAIGC, até esta data, não lhe garantiu qualquer apoio. Por isso, tal como em 2005, este partido estará dividido nas eleições presidenciais tendo uns a apoiar o candidato que for sufragado nas PRIMÁRIAS e outros a apoiar o candidato independente.

Ora, tendo o MADEM-G15 como partido constituído por antigos militantes e dirigentes do PAIGC, tudo leva a crer que o seu candidato obterá votos oriundos de militantes e simpatizantes do PAIGC. Quer dizer que, as ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS SERÃO MUITO DISPUTADAS principalmente entre figuras provindas do PAIGC dentre as quais sairá incontestavelmente o PRESIDENTE DA REPÚBLICA. Justifica-se esta aferição pelo facto de se acreditar, pelas evidências, que quem conta com o apoio do PAIGC tem 50 por cento dos votos garantidos.

Nino Vieira, General, Presidente da República 18 anos, Chefe de Guerra, Combatente da Liberdade da Pátria de elevada estatura e reputação, conseguiu vencer as eleições de 2005 sem o apoio OFICIAL do PAIGC mas com o apoio extra dos seus camaradas e apoiantes e com o inestimável apoio de Koumba Yala e Francisco Fadul.

Carlos Gomes Júnior, Empresário de renome, líder do PAIGC em dois mandatos, Primeiro-Ministro com boas referências, conseguirá ser eleito sem apoio OFICIAL do PAIGC? Quanto partidos políticos irão suportá-lo na sua empreitada?

O futuro dirá a quem viver…