Wednesday, September 22, 2021
OPINIÃO

OPERAÇÕES DE COSMÉTICA QUEIMAM MILHÕES DE FRANCOS CFA

Agosto 02, 2021
  

Muitas vezes, quem está no topo do poder político entende que quanto mais aposta em “operações de cosmética” seduz melhor, convence, consolida mais o seu status de dirigente, e, por via disso, conquista, indefectivelmente, o povo que é quem mais ordena num regime democrático na verdadeira acepção do termo. PURO LOGRO.

Um povo desvalido como o guineense, cujo rendimento per capita é dos mais baixos do mundo, que tem problemas de acesso aos cuidados elementares da saúde; que beneficia de um sistema de ensino vetusto e de baixa qualidade (conforme defendem especialistas da área); que experimenta dificuldades para se deslocar em toda a extensão do território nacional, por terra, mar e ar, com problemas em todos os níveis, a sua preocupação, certamente, não se resume apenas em acompanhar as façanhas do actor que congemina, promove e executa operações de cosmética “para o inglês ver” (e os incautos aplaudirem não obstante as carências vigentes).

A prática de “operações de cosmética”, invariavelmente, leva ao aprimoramento dos motes de plano inferior, questões acessórias, em detrimento dos assuntos essenciais que ocupam lugares de destaque dentre as preocupações dos cidadãos.

FESTAS não enchem “barrigas de penitência” do povo que a muito custo consegue garantir a produção mínima do sustento para sobreviver através de meios de produção arcaicos.

Os shows que se organizam para recepcionar os “hóspedes irmãos”, convidados para virem constatar as desgraças do povo e da Pátria de Cabral, não se repercutem na melhoria das afobações do povo. Inquestionavelmente, existirá a satisfação do ego do anfitrião, que dessa forma, exibe a sua ‘carteira de amizades’ do topo da gama, não obstante esta não reflectir melhorias notáveis da produção e da produtividade do país, que é o que mais se anseia, como se diz algures, para se direcionar rumo ao progresso e ao desenvolvimento em bases sustentáveis.

O reverso da medalha revela as imagens das ‘deslocações diplomáticas’ da suprema magistratura, dezenas, que, consequentemente, implicam custos onerosos na ordem de muitos milhões de francos cfa que, supostamente, não terão sido previstos no OGE com o agravante das dificuldades de tesouraria em que navega a estrutura governamental que gere o erário público ter poucas opções destacando-se dentre elas as emissões de títulos de tesouro.

Outro facto que se pode destacar é a ubiquidade do magistrado supremo nos diferentes poderes consagrados na Constituição da República, considerado nos quadrantes político-partidários como flagrante ingerência e interpretação destorcida e propositada do sistema político (semipresidencialismo) em vigor no país.

E o país continua improdutivo; a depender de ajudas externas. Cada oferta é festejada como sucesso, como resultado da grande capacidade do poder político. Entretanto, a única produção garantida é a castanha de caju, que nos anos bons rende pelo menos 200 mil toneladas.

Manda o bom senso que se faça alguma contensão nas despesas (divulgadas pela UNTG) que podem ser perfeitamente aligeiradas sem provocar prejuízos ao povo e ao país.