Tuesday, March 02, 2021
OPINIÃO

QUANDO É QUE SE FAZ UMA BOA ESCOLHA EM DEMOCRACIA?

Abril 04, 2019
  

Por: Adulai Indjai

«A democracia é a pior forma de governo, com excepção de todas as demais» – Winston Churchill.

A Escolha é, antes de tudo, saber fazer a diferença entre aquilo que é justo ou parece-me justo; e, outro elemento ou sujeito. Há que questionar o tempo, porque a utilidade de uma escolha de vez em quando não pode ser avaliada no momento da escolha, Mas sim com o tempo. O tempo da escolha política é um tempo ingrato, tempo injusto, tempo muitas vezes inadequado em relação à uma determinada época.

Cada declaração política em tempo de campanha eleitoral, em tempo de campanha governativa expressa uma verdade assim como uma contraverdade. Dizer uma verdade sobre um sujeito tão complexo e vasto como governar um povo sem nação, é quase um milagre, por isso, e é para isso que a contraverdade torna-se a outra face da moeda.

No momento de fazer a escolha entre o programa eleitoral imaginado e composto por tecnocratas sem a consultação daqueles que detêm o poder de fazer a escolha, é como convidar um cego a ler um livro. Mas, na democracia, a verdade e a contraverdade coabitam no momento de fazer a escolha, porque em tempos da campanha governativa os que escolheram o partido do governo são satisfeito da escolha e os que não escolheram tornam-se adeptos da “sua” verdade e não aceitam nunca a contraverdade da campanha governativa, mas, no entanto, a governação é um processo de incógnitas recheadas da contraverdades.

Para fazer coabitar o programa eleitoral com o programa governativo tem que haver um grupo marginalizado, entre os que fizeram a escolha com a esperança de um dia melhor, e, os que escolheram com o objectivo de tirar benefícios dos meios financeiros investidos na campanha eleitoral. Existem grandes diferença em termos de prioridades e oportunidades. A aparição da contraverdade e o seu impacto na governação torna-se inevitável; os interessados, os que investiram financeiramente na campanha eleitoral são sempre os mais impacientes. Os que escolheram com a votação são os marginalizados de sempre, seja em que país democrático for; isso é o resultado do sistema democrático.

Caso da Guiné-Bissau

No caso da Guiné-Bissau é preocupante porque não se pode mudar um povo sem nação em quatro (4) anos de governação. Não se pode satisfazer um povo que desconhece o valor das suas riquezas naturais e dos seus direitos básicos (boa saúde, sistemas de ensino e de justiça eficazes, etc.). Não se pode fazer o desenvolvimento de um país onde a população desconhece os seus deveres no processo do desenvolvimento do seu país, principalmente o pagamento de impostos.

A campanha que consegui assistir nas redes sociais mostrou um modelo democrático “mais justo” do mundo uma vez que a democracia não é só um modelo político mas também um modelo de marketing eleitoral.

Os pais pensadores da democracia nunca foram democráticos, os filhos da democracia não aspiram viver na democracia, e a democracia é a ferramenta de marketing político destinada a convencer os mais pobres em acreditar e confiar na classe política. Em resumo a democracia é a primeira instigadora da desigualdade. Porque quando a campanha governativa é sempre entupida de contraverdades para se defender, o governo vai sempre utilizar esta linda frase: fomos eleitos democraticamente. Apesar da campanha governativa ser diferente das promessas da campanha eleitoral, a característica da contraverdade da governação é flagrante em todas as democracias do mundo. Mas quero ser optimista e pensar que o partido escolhido pelo povo Guineense, não será somente a esperança, mas a mudança.

Mas, apesar de tudo, por mais paradoxal que seja, defendo o modelo democrático, mas não as ferramentas democráticas baseadas num único objectivo: a conquista do poder político. É do conhecimento geral que a classe política do mundo inteiro, especialmente da nossa Pátria Amada, é constituída por vendedores de sonhos mal concebidos! Se o modelo democrático não fosse um modelo de marketing político, não assistiríamos às imensas despesas eleitorais dos partidos políticos para convencer um povo mal-amado, mal-instruído a escolher entre a cólera e a peste.

Na mesma altura este mesmo povo não dispõe de escolas para se instruir e poder exercer o seu direito de escolher com isenção, e muito menos recursos financeiros para garantir a subsistência do seu quotidiano. Como é que se pode fazer a escolha correta com a barriga vazia? Nas tabernas dos partidos políticos? No trabalho honesto e digno que falta grandemente no nosso país?

A escolha do nosso povo foi feita. Temos de aceitá-la, todos, com dignidade e respeitá-la.

A questão que fica suspensa é: será que a classe política terá a capacidade de juntar-se em prol do bem comum e sensibilizar o povo a construir, juntos, uma nação, um modelo governativo baseado na cultura e tradição Guineense? Um verdadeiro sistema de ensino técnico e profissional reduzindo drasticamente o modelo teórico do actual sistema de ensino? Trabalhar na construção e proteção do nosso património ecológico? Desenvolver uma cultura de negócios entre os diferentes sectores económicos? Instaurar um modelo de investimento baseado no intercâmbio económico entre os parceiros económicos privados e não no modelo de mão de esmola como a mesa redonda de Bruxelas de 2014?

Que não seja somente a esperança mas, essencialmente, uma mudança palpável, mesmo seja ele pouca. Pode encorajar iniciativas mais arrojadas.