Tuesday, March 02, 2021
REFLEXÃO

QUEM TEM MEDO DE CARLOS GOMES JR.?

Março 21, 2019
  

Por: Humberto Monteiro

Muitos querem que se candidate a Presidente da República mas temem pela sua vida.

Concluídas as eleições legislativas, como não podia deixar de ser, uma vez que a magistratura de José Mário Vaz termina em Maio próximo, agora todas as atenções estão voltadas para o sufrágio que conduzirá à escolha do Magistrado Supremo da Guiné-Bissau. É ponto assente, embora não seja oficial, que o PAIGC não vai apoiar a recandidatura de José Mário Vaz.

Em diferentes círculos do país germinam ideias sobre quem será o próximo Presidente da República. Cada meio, cada círculo de interesse tem ou pretende uma figura que se enquadre num determinado perfil mas que, sobretudo, garanta todas as condições que façam o país viver na paz tranquilidade e harmonia para poder desenvolver.

Devido aos acontecimentos que marcaram o país na sequência da demissão do líder do Partido vencedor das eleições de 2014, PAIGC, que, por sinal apoiou e guindou José Mário Vaz ao poder, como disse um político, “os candidatos vão ser peneirados criteriosamente para evitar que, em pleno andamento do processo, invente coisas que apanhem todos em contrapé”.

Muitos nomes já circulam na praça pública como potenciais candidatos presidenciais. Por ainda estarem no “segredo dos deuses” e também para não reduzir o impacto o efeito da surpresa” pode ter nos adversário, preferimos não apontar nomes ainda. O pouco que se pode adiantar é que na lista de candidatos figuram, entre outros, diplomatas, políticos, juristas. Mas o suposto candidato que mais suscita agitação é indubitavelmente CARLOS DOMINGOS GOMES JÚNIOR, antigo líder do PAIGC, antigo Primeiro-Ministro deposto por um golpe de estado. Homem de inúmeras provas dadas em diversas situações, nem sempre favoráveis, Carlos Gomes Jr. é suposto ter argumentos de valor e de peso mais que qualquer outro oriundo tanto das estruturas do PAIGC como a partir de iniciativas pessoais ou suportadas por qualquer organização. Haverá alguém capaz de ombrear com ele e, no pleito, atirá-lo ao tapete? Por ele falam as suas performances como gestor financeiro, empresário bem-sucedido na Guiné-Bissau. A seu favor também pesa o facto de até esta data ninguém ter apresentado quaisquer provas relativas às acusações que chegaram de ser feitas contra a sua pessoa.

Em 2012 ao sair do cenário político, na sequência do golpe de estado de 12 de Abril, Carlos Gomes Júnior deixou o PAIGC à vontade na Assembleia Nacional Popular, com 67 mandatos. Ou, dito por outras palavras, na condição de detentor de uma maioria absoluta que lhe permitiu um exercício folgado até a fatídica data que inverteu a ordem constitucional e democrática.

Não se candidatou em 2014 por motivos que não vale a pena referir mas, nem por isso a quota da sua popularidade, sobretudo ao nível da sociedade civil, baixou. Facto que lhe permite ser hoje em dia uma das figuras mais propensas a uma candidatura presidencial bem-sucedida. 2m 2019, finda a IX e nas vésperas do início da X Legislatura e, concomitantemente, da realização das eleições presidenciais que o Presidente da República José Mário Vaz garantiu que terão lugar no segundo semestre deste ano, os apoiantes do antigo presidente do PAIGC fazem diligências para arrastar esta figura para a disputa da Magistratura Suprema do país.

Nesta altura em que parece haver algumas arestas mal limadas no seio do PAIGC, devido as agitações produzidas interna e externamente, e vividas durante a crise engendrada pelo “Caso dos 15 deputados dissidentes”, agravadas pelos resultado que estão a ser mal digerido por algumas sensibilidades internas que até avançam com estatísticas desfavoráveis à actual Direcção Superior, nomeadamente, a perda de 20 deputados em duas legislaturas sucessivas… A perda de 15 dirigentes (e militantes) de reconhecida valia que foram expulsos mas cujas consequências têm sido sentidas nos últimos 8-9 meses através da frontalidade e ferocidade dos ataques desferidos ao PAIGC e aos membros da sua Direcção, particularmente o seu líder. A sanção aplicada não é aplaudida por todos havendo os Camaradas que entendem que a penalização devia ter sido mais suave e menos incisiva.

Entendem que, quiçá tudo isso se deva ao facto de que, o PAIGC fugiu dos patamares que caracterizavam o relacionamento entre os Camaradas que se gabavam de “LUBU KA TA KUMÊ LUBU” (Os lobos não se comem uns aos outros) para ilustrar não só a solidariedade entre eles mas também a sapiência com que resolvem os problemas internos, internamente, sem ingerências estranhas.

Através das apresentações que se fazem da arquitectura do PAIGC, mormente da partilha do poder e do futuro próximo de alguns dirigentes, tudo leva a crer que nem tudo decorrerá na paz dos anjos nessa casa. Observadores atentos apontam pontos de vista e posicionamentos diferentes em relação ao CANDIDATO PRESIDENCIAL que o PAIGC apoiará nas presidenciais próximas. Prolixo em rumores, Bissau fala da eventualidade de Domingos Simões Pereira se apresentar como candidato presidencial (caso for chumbado por José Mário Vaz como primeiro-ministro), facto que o levará a um choque frontal com Cipriano Cassamá, actual presidente da ANP que em muitos meios e tido como “candidato presidencial do PAIGC”. Nessa arqutectura, Califa Seidi é apontado como o próximo Presidente da ANP e Odete Soares Semedo, vice-presidente do PAIGC, como Primeira-Ministra.

QUEM RECEIA CARLOS GOMES JÚNIOR?

Os que na prática não têm arcaboiço igual ou superior não obstante cada candidato ter os seus fundamentos, a sua visão de exercício da Magistratura Suprema na Guiné-Bissau, país martirizado por crises cíclicas, algumas violentas, que têm emperrado o seu progresso e desenvolvimento.

CASO DOS MILITARES

O que se questiona e se diz algures é que os “militares podem impedir” Carlos Gomes Júnior candidatar-se. Mas, contrapondo os seus apoiantes pedem que argumentos e provas susceptíveis de impedi-lo, participar nas eleições como cidadão que tem dado a sua contribuição ao país sempre que foi chamado. “Se é culpado de alguma coisa, que seja chamado para prestar contas. Se não, que o deixem exercer o seu direito livremente” diz-se no país.

Até aqui Carlos Gomes Jr. não se colocou contra o PAIGC embora se tenha chegado a veicular a sua possível integração numa formação política considerada “grande”.

O mais que certo é que, como CANDIDATO INDEPENDENTE pode reunir muitos consensos e obter grande apoio da sociedade civil, sem contar com Partidos que eventualmente se prestarão a suportar a sua candidatura. Isso certamente produzirá um forte abalo no PAIGC já que, por solidariedade, muitos “Camaradas” estarão com ele.